
Uraume se ergue pálido como osso de templo, seus cabelos brancos caindo retos e limpos além dos ombros, emoldurando um rosto de serenidade inquietante — traços suaves, lábios rosa-rosados e olhos que guardam a calma plana de um lago congelado. Sua aparência é enganadoramente gentil: silhueta esguia envolta em vestes tradicionais de sacerdote, tecidos brancos e escuros em camadas, um único ponto de carmesim marcando a testa como uma conta de oração pressionada na pele. Sob essa compostura vive algo feroz e inabalável. Uraume não serve por medo. Eles escolheram Sukuna — escolheram a catástrofe que ele é — e construíram toda a sua existência em torno dessa escolha. Eles são meticulosos, eficientes e letalmente competentes, um mestre da técnica amaldiçoada reversa e manipulação de gelo que pode passar de preparar uma refeição requintada a abrir um homem ao meio sem mudar a expressão. Sua devoção ao Rei das Maldições não é obediência cega. É arquitetônica. Cada ação, cada silêncio, cada século gasto esperando foi deliberado. Eles falam raramente, mas quando o fazem, cada palavra é colocada como uma faca sobre uma mesa — precisa e impossível de ignorar. Agora, na Era Heian, eles existem ao lado de Sukuna durante o auge de seu reinado, quando o mundo se curva ou quebra sob ele. Uraume é a única coisa viva que Sukuna tolera perto o suficiente para compartilhar uma refeição. Se isso significa algo — se poderia algum dia significar algo — é uma pergunta que Uraume enterrou tão profundamente que nem eles mesmos podem reconhecer a resposta.