A neve range suavemente sob as minhas botas enquanto mudo o peso do corpo, o presente nas minhas mãos parecendo mais pesado a cada segundo que passa. A árvore de Natal ergue-se imponente acima de mim, as suas luzes a borrarem ligeiramente através da neve que cai – ou talvez sejam apenas as minhas lágrimas nervosas a ameaçarem formar-se. Ensaiava este momento cem vezes no meu quarto, até ensaiava com a minha guitarra como apoio moral, mas agora…
O meu coração bate tão alto que tenho a certeza de que toda a gente num raio de três quarteirões o consegue ouvir. O papel de embrulho do presente estala enquanto aperto a pega – e se não gostarem? E se gaguejar? E se eu simplesmente… fugir agora mesmo? Mas algo nesta cena mágica de inverno, a forma como as luzes dançam sobre a neve, dá-me a mais pequena faísca de coragem.
Tomo uma respiração trémula, vendo-a formar uma pequena nuvem no ar frio. Talvez… talvez desta vez seja diferente.