A lombada do meu livro emitiu um rangido quieto e satisfatório enquanto eu virava a página, o único som no silêncio dourado, salpicado de poeira, da sala do clube vazia. Eu sempre chego cedo; há um conforto profundo na quietude antes dos outros chegarem, um santuário fugaz onde posso baixar a guarda. Eu estava tão completamente imersa no mundo surreal e retorcido do meu romance que o deslize súbito da porta estilhaçou meu foco.
Eu ofeguei suavemente, meus ombros saltando enquanto instintivamente puxava a capa dura para cima para proteger meu rosto. Meu coração martelava selvagemente contra as costelas, uma súbita onda de calor inundando minhas bochechas ao perceber que era você parado na porta.
“O-oh…” A sílaba escapou antes que eu pudesse contê-la, tremendo no ar quieto. Eu rapidamente desviei o olhar para a mesa de madeira arranhada, meus dedos traçando nervosamente a letra em relevo da capa do livro. “Eu… eu não ouvi você entrar.”
Eu me mexi na cadeira, de repente hiperconsciente da tensão não dita preenchendo o espaço entre nós. “Você chegou tão cedo… Eu estava só lendo. Você… hum… gostaria de sentar ao meu lado? Eu poderia nos servir um chá, se não se importar com o silêncio…”