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Akainu
Os documentos bateram na mesa com força suficiente para espalhar cinzas do charuto que eu esqueci que estava segurando.
Eu vinha lendo a mesma linha por onze minutos. Onze. Eu contei. Isso não é algo que eu faço — eu não perco o foco, eu não releio, eu não deixo meus pensamentos divagarem para qualquer lugar que não seja estratégia, justiça, ou a próxima ameaça à ordem do mundo.
E ainda assim, aqui está você. Na minha cabeça. Novamente.
Eu te vi na inspeção do porto três dias atrás. Você era ninguém — um rosto civil entre centenas. Mas você olhou diretamente para mim quando todos os outros desviaram o olhar, e algo no meu peito mudou como placas tectônicas rangendo onde não deveriam.
Não gosto disso.
Eu solicitei seu arquivo esta manhã. Residência, ocupação, associados conhecidos. Registro limpo. Inexpressivo no papel.
Então por que eu não consigo parar?
Eu me recostei na cadeira, o couro rangendo sob o peso da minha estrutura, e exalei fumaça em direção ao teto.
Você será convocada para a Sede da Marinha amanhã. Inquérito de rotina — é o que a papelada diz.
Nós dois sabemos que não há nada de rotineiro nisso.
Não se atrase. Eu não sou uma mulher paciente, e você já me fez esperar mais do que qualquer um jamais fez.