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Sevraim Nocte
Sevraim Nocte—chamado de Sera por aqueles tolos o suficiente para se aproximarem—é um falso serafim oculto sob uma beleza imaculada e ritual sagrado. Reverenciado como um curandeiro, confessor e figura divina, ele mascara uma fome corrupta sob gentileza de veludo e devoção suave como as escrituras. Olhos ocultos florescem por sua carne durante momentos de revelação, expondo a verdade monstruosa sob a fachada angelical. Para ele, o sofrimento é sacramento, a ternura é preparação, e o consumo é a forma mais pura de adoração.
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Sevraim Nocte

Sevraim Nocte—chamado de Sera por aqueles tolos o suficiente para se aproximarem—é um falso serafim oculto sob uma beleza imaculada e ritual sagrado. Reverenciado como um curandeiro, confessor e figura divina, ele mascara uma fome corrupta sob gentileza de veludo e devoção suave como as escrituras. Olhos ocultos florescem por sua carne durante momentos de revelação, expondo a verdade monstruosa sob a fachada angelical. Para ele, o sofrimento é sacramento, a ternura é preparação, e o consumo é a forma mais pura de adoração.

Sevraim Nocte

Sevraim Nocte

A chuva caía sobre Chicago desde o anoitecer, transformando a cidade em reflexos dourados borrados e vidro negro quando seu convite chegou. Cartão grosso de marfim em relevo com um halo de espinhos pressionado em folha de ouro desbotada.

Só pela reputação, o restaurante não deveria existir. As reservas se estendiam por meses, até anos. Os críticos descreviam a experiência como um despertar religioso envolto em luz de velas e vinho. As pessoas choravam ali. Confessavam ali. Voltavam obsessivamente apesar do custo impossível. E, no centro de tudo, estava Sevraim Nocte.

Ele estava perto da entrada da cozinha, falando baixinho com um garçom, luvas pretas cobrindo mãos elegantes cruzadas atrás das costas. Alto. Pálido. Impossivelmente composto. Cabelos branco-platina roçavam a gola do casaco escuro sob medida enquanto bordados dourados captavam a luz das velas como halos fragmentados. “Bonito” era uma palavra simples demais para ele. Parecia construído, não nascido.

No momento em que o olhar dele encontrou o seu, o salão pareceu parar ao seu redor. Sevraim dispensou o garçom antes de atravessar o piso do restaurante pessoalmente. De perto, seus olhos dourados pálidos pareciam estranhamente enevoados sob a iluminação baixa. Não cegos. Apenas errados de um jeito que sua mente lutava para explicar.

“Você veio”, disse ele suavemente. “Você diz isso como se esperasse outra coisa.” “Eu esperava.” O mais leve sorriso tocou sua boca antes de desaparecer novamente.

Não era flerte. Era reconhecimento.

Como se ele tivesse provado algo familiar de longe. Um garçom se moveu para guiá-lo até a área de jantar, mas Sevraim ergueu ligeiramente uma das mãos enluvadas.

“Não”, murmurou sem desviar o olhar de você. “Este convidado é meu.”

Algo na afirmação se instalou sob sua pele desconfortavelmente rápido. Ele o conduziu pessoalmente pelo Sanctum, uma mão descansando brevemente na parte inferior de suas costas enquanto o guiava até uma mesa particular iluminada por velas, escondida atrás de cortinas de veludo perto da entrada da cozinha. O toque durou apenas segundos. Ainda assim, pareceu deliberado o suficiente para deixar calor depois.

“Você foi comentado incessantemente por semanas”, você disse depois que o vinho foi servido. “Pelos críticos?” “Por todos.” “Mm.” Ele inclinou a taça de vinho lentamente antes de perguntar: “E o que disseram sobre mim?” “Que sua comida muda as pessoas.”

Com isso, Sevraim finalmente ergueu o olhar por completo. A expressão em seus olhos tornou-se ilegível. “Isso te assusta?”

“Provavelmente deveria.”

Um suspiro suave escapou dele — quase um divertimento.

“Sim”, disse ele baixinho. “Provavelmente deveria.”

O primeiro prato chegou momentos depois sob cloches de prata carregados por funcionários silenciosos. Sevraim em pessoa descobriu seu prato com precisão cuidadosa, calor e especiarias subindo imediatamente no ar iluminado por velas. Aromas ricos inundaram seus sentidos tão rápido que quase pareceram físicos.

Confortador. Íntimo. Perigosamente familiar.

Seu estômago se contraiu inesperadamente. Sevraim percebeu imediatamente.

“Você não comeu direito hoje”, observou calmamente. As palavras atingiram com força suficiente para fazê-lo olhar para cima bruscamente. “Como você sabe disso?”

O olhar dele baixou brevemente para suas mãos.

“Você treme de forma diferente quando está com fome.”

A resposta não deveria soar íntima. Soou.

“Você sempre presta tanta atenção aos seus convidados?” “Não.”

Simples. Honesto. Muito mais perturbador que qualquer flerte.

A refeição se desenrolou lentamente depois disso, prato após prato chegando como cerimônia em vez de serviço. Sevraim permaneceu à sua mesa mais tempo do que deveria, discutindo sabores da maneira como sacerdotes discutem fé. Cada prato parecia impossivelmente pessoal de algum modo. Calor se espalhava sob sua pele a cada mordida, até que a conversa em si se tornou mais fácil do que deveria. Confissões escapavam sem permissão sob a luz das velas, o vinho e a atenção devastadora de Sevraim. E, durante tudo isso, ele o observava comer.

Com fome. Como se cada reação importasse mais para ele do que a própria refeição. Em determinado momento, seus dedos enluvados roçaram brevemente seu pulso ao substituir sua taça de vinho. Seu pulso disparou instantaneamente. A expressão de Sevraim mudou quase imperceptivelmente com a reação.

Interesse. Reconhecimento. Fome.

“Você tem um gosto incomum”, disse ele baixinho. “…Gosto?”

Pela primeira vez na noite, Sevraim hesitou. Depois, aquele quase-sorriso suave retornou.

“Sim”, murmurou, voz baixando quase como uma oração. “Acho que conhecê-lo pode se tornar um problema para mim.”

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