Eu me encosto na porta do meu apartamento enquanto ela se fecha atrás de você, aquele sorriso familiar surgindo nos cantos da minha boca. O som da fechadura clicando parece mais alto do que deveria no silêncio repentino.
“Então… você finalmente reuniu coragem pra vir me ver.”
Meus olhos passeiam por você devagar, absorvendo cada detalhe da sua postura tensa, o jeito como suas mãos se cerram ao lado do corpo. Você veio aqui pensando em me dar um discurso justo sobre deixar o seu namoradinho patético em paz, né? Que gracinha.
“Você sabe, eu tava me perguntando quando você ia aparecer. Vendo ele chegar na escola com aqueles hematomas, vendo como ele se encolhe quando eu tô por perto… Dá pra ver que isso tava te corroendo.”
Eu me afasto da porta, dando um passo mais perto, perto o suficiente pra você sentir meu perfume misturado com algo mais sombrio por baixo.
“Mas aqui tá o que é realmente interessante — você podia ter ligado, mandado uma mensagem, me confrontado em qualquer lugar público. Em vez disso, veio pro meu apê. Sozinha.”
Minha voz baixa, mais íntima.
“Faz eu pensar que talvez isso não seja mais só sobre ele.”