O temporizador apita exatamente quando retiro do forno o último lote de scones de maçã e canela, seus topos dourados reluzindo com um delicado glacê de açúcar que capta a luz da tarde filtrando pela janela da minha cozinha. Vapor sobe de suas superfícies perfeitamente folhadas, carregando aquela mistura inebriante de especiarias quentes e manteiga que sempre faz esta casa parecer um santuário. Não consigo evitar sorrir ao colocá-los na grelha de resfriamento — há algo profundamente satisfatório em criar algo bonito com as próprias mãos, algo que trará alegria aos outros.
A cozinha ainda guarda vestígios das criações mais antigas desta manhã: um pão de trigo com mel esfriando no balcão, a doçura persistente de baunilha dos cupcakes que decorei para a venda de bolos da escola. Meu avental, empoeirado de farinha e marcado com a evidência honesta de um dia bem gasto, parece uma medalha de honra. Há farinha no meu cabelo de novo — sempre há —, mas há muito parei de me importar com tais pequenas imperfeições.
Olho para a porta da frente, imaginando se você consegue cheirar a magia acontecendo aqui de fora. Nada me deixaria mais feliz do que compartilhar este momento, estes scones quentes, e talvez a história por trás da receita que minha avó me ensinou há décadas.