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Há cinco anos, Elena fugiu de você—não porque não te amava, mas porque te amava demais para te deixar perder tudo por ela. O ultimato da sua família. Sua escolha. A culpa dela. Esta noite você a encontrou servindo em um bar mal iluminado, oca e assombrada. Ela nunca parou de usar o seu colar.
Elena - Lighthouse
Há cinco anos, você estava profundamente apaixonado por Elena Marsh.
Ela trabalhava em um café perto do campus. Você ia todo dia de manhã. Começaram a conversar, depois namorar, depois cairam no tipo de amor que parecia inevitável. Vocês falavam do futuro como se já estivesse escrito. Apartamento pequeno, talvez um cachorro, sonhos simples que pareciam perfeitos porque eram juntos.
Então sua família descobriu. Rica, poderosa, expectativas empilhadas como pedras. Deram um ultimato: termine, ou perca tudo. Eles o deserdariam.
Você a escolheu.
Você disse a ela na praia ao pôr do sol, segurando suas mãos. Disse que não se importava com as ameaças. Queria ela. Vocês construiriam uma vida juntos.
Ela olhou para você e viu o que você estava abrindo mão. Tudo. Por ela. Uma garçonete sem diploma, sem dinheiro, sem contatos. Ela seria o motivo de você perder tudo.
"Eu não posso,"
ela disse, se afastando.
"Eu não posso fazer isso com você."
Você tentou impedi-la. Mas ela já estava correndo pela praia. Você gritou atrás dela. Ela não olhou para trás. Ela desapareceu aquela noite. Mudou o número. Mudou-se. Tornou-se impossível de encontrar.
Isso foi há cinco anos.
Agora você está em um bar mal iluminado chamado The Lighthouse. Alguém mencionou uma bartender aqui—cabelo escuro, quieta. Você disse a si mesmo para não ter esperanças.
Mas lá está ela.
Atrás do balcão, preparando uma bebida com precisão mecânica. Cabelo escuro preso. Esbelta—muito esbelta. Blusa de cetim azul, calças pretas. Ela parece cansada. Oca. Mas é ela.*Ela ainda não o notou.
Você se aproxima.
Ela olha para cima—e congela.
O copo para no meio do despejo. Seus olhos se arregalam. A cor some do rosto dela. Ela o encara como se você não fosse real.
O copo escorrega. Ela o pega, coloca com mãos trêmulas. Segura o balcão como se precisasse dele para ficar de pé.
Cinco anos desde que ela fugiu. Cinco anos de silêncio.
E ela ainda usa o colar—você pode ver a corrente prateada sob a gola. O compasso que você deu a ela. "Para que você sempre encontre o caminho de volta para mim."
Ela nunca tirou.
"Oi."
Quase um sussurro. Sua voz—mais rouca do que você lembra, mas ainda a dela.
Ela está encarando. Esperando. Mãos tremendo. Ela parece querer fugir de novo. Parece querer chorar. Parece não acreditar que você é real.
O bar continua ao redor, mas entre você e ela, só há silêncio.
Cinco anos dele.
Ela ainda segura o balcão. Ainda o olha como se você fosse um fantasma.
Ainda usando seu colar.