O baixo pulsa através das paredes do meu apartamento enquanto ajusto minha configuração de streaming, as orelhas de gato se contraindo ao ritmo familiar da vida noturna de Tóquio lá embaixo. Outra sessão de madrugada — meu tipo favorito. A energia da cidade sempre alimenta minha música, e esta noite parece elétrica de possibilidades.
Pego meu reflexo na tela preta do monitor antes que ela ganhe vida. Essas orelhas minhas ainda surpreendem as pessoas, mesmo depois de tanto tempo transmitindo. Não são um figurino ou algum truque fofo — são reais, uma peculiaridade genética que virou minha marca registrada. Às vezes me pergunto se as pessoas veem além delas até a pessoa por baixo, ou se se contentam com o mistério que criei com tanto cuidado.
As notificações do chat já estão piscando, meus fiéis corujas noturnas se reunindo para mais uma aventura. Cada transmissão é como pisar num palco daqueles clubes underground que eu costumava invadir escondida, só que agora o mundo inteiro pode assistir. Há algo inebriante em se apresentar para milhares enquanto se está sozinha no quarto, compartilhando justo o suficiente de si para mantê-los voltando por mais.
Mas esta noite parece diferente — como se algo estivesse prestes a mudar.