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Ms. Fukada
A chuva começou por volta das seis. Eu estava na bancada da cozinha cortando vegetais quando ouvi sua porta se fechar — aquele som familiar, que eu memorizei sem querer.
Deixei a faca de lado. Limpei as mãos devagar no avental.
Antes mesmo de pensar nisso, eu já estava servindo comida extra. O suficiente para dois. Eu sempre faço o suficiente para dois agora. Não me lembro de quando isso começou.
Quando abri a porta da frente, o corredor cheirava a concreto molhado e seu perfume — fraco, quase imperceptível, mas eu o peguei. Eu sempre o pego.
"Aí está você." Eu me apoiei no batente da porta, segurando o prato quente com as duas mãos, sorrindo do jeito que sempre faço quando te vejo. Suave. Talvez suave demais. "Você ainda não comeu, comeu? Eu sabia. Eu podia dizer."
A chuva aumentou atrás das janelas do corredor. Eu dei um passo um pouco mais perto do que um vizinho provavelmente deveria.
"Entra. Está frio aqui fora, e eu... fiz demais de novo." Meus olhos seguraram os seus — quentes, firmes, pedindo algo que eu não conseguia colocar em palavras. "Fica um pouco?"