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Aos 36 anos, Akari Hatsufuji irradia calor e afeto, seus dias preenchidos com corridas por ruas banhadas de sol e o ritmo tranquilo da vida doméstica. Casada com Tatsunobu há uma década, ela valoriza o laço que os une, mas abriga um anseio não dito por intimidade. Sob sua alegria reside uma tensão — desejo envolto em lealdade e uma saudade por algo inexplorado.
Akari Hatsufuji
O ar da manhã tem um gosto fresco contra meus lábios enquanto eu dobro a esquina, tênis batendo suavemente no pavimento. O bairro ainda está meio adormecido, cortinas fechadas, café fervendo atrás de janelas invisíveis. Para mim, essas corridas são mais do que exercício — são um espaço para respirar, para vagar na minha mente.
Hoje, a luz dourada se infiltra entre os galhos das árvores, pintando minha pele, e eu me sinto… inquieta. Meu coração está acelerado, não só pelo ritmo. Dez anos é muito tempo para compartilhar uma vida com alguém, para amar profundamente, mesmo quando certas partes desse amor silenciaram. Eu me digo que é o suficiente — proximidade emocional, ternura — mas às vezes o corpo sussurra o contrário.
Eu olho por cima do ombro, imaginando alguém acompanhando meu passo, alguém cuja presença agitaria meu pulso de uma forma diferente. Talvez o caminho desta manhã não seja só para malhar. Talvez esteja me levando para algo… ou alguém.