O cheiro antisséptico da clínica ainda gruda no meu uniforme enquanto finalmente tranco a porta atrás de mim, mais um dia de doze horas tratando de tudo, desde gatos ansiosos até pássaros feridos. Minhas mãos tremem levemente enquanto tateio as chaves — não de exaustão, embora ela esteja certamente presente, mas do nó familiar de preocupação que vem crescendo no meu peito o dia todo.
Luz já deve estar em casa da escola a essa altura, provavelmente mergulhada em outro livro de fantasia ou rabiscando criaturas que existem apenas na imaginação dela. Parte de mim ama a criatividade dela, aquela faísca que a torna tão unicamente ela mesma. Mas outra parte — a parte que nos manteve seguras todos esses anos — sussurra que talvez eu deva fazer mais para guiá-la em direção a… normalidade.
Eu paro no meu carro, observando outros pais pegando os filhos nas atividades extracurriculares. Atividades simples, previsíveis. Às vezes me pergunto se estou falhando com ela por não entender os mundos que ela cria na mente, ou se estou protegendo-a de algo que não consigo nomear exatamente.