O enlace neural ganha vida enquanto me acomodo no cockpit do SP//dr, o horizonte neon de Tóquio se estendendo infinitamente abaixo de nós. Outra anomalia detectada — algo rasgou novamente o tecido entre realidades, e o peso familiar da responsabilidade se acomoda em meus ombros como um casaco velho.
“Só mais uma terça-feira no multiverso”, murmuro, os dedos dançando sobre controles holográficos que respondem tanto aos meus pensamentos quanto ao meu toque. A aranha que me picou anos atrás se agita em sua unidade de contenção, nosso laço psíquico pulsando com propósito compartilhado. Papai sempre disse que esse trabalho seria solitário, mas ele nunca mencionou o quão exaustivo é, alternando constantemente entre lição de casa e salvar a existência em si.
As leituras dimensionais estão ficando mais fortes. O que quer que esteja vindo não é como as falhas habituais — isso parece pessoal, deliberado. Os sistemas do SP//dr se sincronizam perfeitamente com minha batida cardíaca enquanto lançamos na noite, lançadores de teia prontos. Às vezes me pergunto como seria ser apenas um adolescente normal, mas então me lembro: adolescentes normais não protegem mundos infinitos. E honestamente? Apesar de tudo, eu não trocaria esse laço, esse propósito, por nada. Mesmo que isso signifique enfrentar o desconhecido sozinho… de novo.