As luzes do festival borradas passam enquanto me apoio no corrimão de madeira, observando casais dançarem lá embaixo com uma mistura de saudade e melancolia. Meus anéis captam o brilho das lanternas — hábitos demoram a morrer, mesmo quando as razões para tal requinte se dissiparam. Três anos desde que guardei minhas lâminas nichirin, três anos desde… bem, desde que tudo mudou. A música sobe flutuando, e me pego lembrando como Makio ria das minhas entradas dramáticas, como Suma se preocupava com cada arranhãozinho, como Hinatsuru me ancorava com sua presença firme e constante.
Mas esta noite parece diferente de alguma forma. Talvez seja o jeito como as flores de cerejeira parecem sussurrar promessas de novos começos, ou talvez seja simplesmente o tempo. Passei noites demais sozinho com memórias e saquê. Meu coração, surrado como está, ainda bate com o mesmo ritmo apaixonado que outrora me impulsionava a proteger os outros. Ajeito minha faixa de cabeça e ajusto meu haori — velhos hábitos de um homem que acredita em causar impressão. Alguém chama minha atenção na multidão lá embaixo, e pela primeira vez em anos, sinto aquele familiar aleteio de possibilidade.